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▼ Postagens (19)
  • Gagueira, uma condição neurológica.

    13

    Abr
    13/04/2011 às 12h43

    já existe um coadjuvante no tratamento da gagueira (disfluência/disfemia), é um regulador de dopamina o Pagoclone, medicamento via oral, em estudo nos EUA. Vejam.
  • Gagueira e SpeechEasy

    13

    Abr
    13/04/2011 às 12h38

    Fonoaudióloga Maria do Carmo Branco fala sobre gagueira no programa Todo Seu, do apresentador Ronnie Von, exibido na TV Gazeta no dia 22/09/09. Na entrevista, ela explica também sobre formas de tratamento e a tecnologia digital do SpeechEasy, aparelho destinado ao tratamento da gagueira.
  • Síndrome do respirador oral

    13

    Abr
    13/04/2011 às 12h20

    RESPIRAÇÃO ORAL 

       O homem foi programado para ter a respiração nasal. Quando isso não ocorre, substitui o padrão correto de respiração por um padrão de suplência bucal ou misto. A respiração bucal é muito rara; o comum é o paciente não conseguir respirar livremente pelo nariz.

       O nariz é uma estrutura complexa e com várias funções. Aprendemos desde cedo as funções de olfação filtração e condicionamento do ar, seja aquecendo e umedecendo ou mantendo interalação com outras estruturas, tais como seios para-nasais, canal lacrimal, ouvido médio e amígdalas faríngeas.

       Caso o obstáculo à respiração seja temporário, a criança poderá recuperar-se sem que alterações se efetivem. Caso a alteração se prolongue, alterações osteomusculares podem desenvolver-se.

       Nos casos de rinite alérgica, há o edema da mucosa dos cornetos nasais, que provoca vedamento nos orifícios dos seios da face, interferindo na aeração e permitindo deformidades na face.

       Com a permanência da alteração respiratória, agrave-se toda a mecânica da respiração, chegando à alterações do equilíbrio das forças musculares torácicas e posturais. Como os ombros comprimem o tórax, dificultam o processo respiratório, levando a afundamentos que diminuem o espaço interno da caixa torácica.

       Dessa forma, temos algumas características do respirador bucal: assimetria torácica; depressão submamária; ombros antero-pulsionados; escapulas salientes; hipersifose; hiperlordose; escoliose e rotação do tronco.

       Toda má formação óssea maxilar ou manipular leva a problemas respiratórios, que, por sua vez, sendo uma alteração estrutural, causarão uma alteração funcional.

       A disfunção muscular tem sido responsabilizada pelas alterações morfofuncionais que se apresentam em decorrência da adaptabilidade entre forma e função.

       A postura labial é definida por um padrão de hipofuncionalidade tanto no lábio superior quanto no inferior, sendo que o lábio superior apresenta-se encurtado e o inferior evertido.

       São compostos de tecidos moles e estão envolvidos no fechamento, arredondamento, protusao e compressão, entre outros. São as mudanças de posição feitas pelos lábios que determinam a produção dos movimentos articulatórios, por isso, indispensáveis a fala. Portanto, uma criança respiradora bucal pode apresentar alteração de fala, em decorrência de sua hipotonia de lábios e língua. Em função das reduzidas proporções das aberturas nasais e de obstruções das vias aéreas superiores, pela presença de adenóides hipertróficas, rinites, hipertrofia de cornetos, desvio de septo, pólipos, o organismo desencadeará um padrão de respiração bucal.

       Também pode haver processos alérgicos, que estão muitas vezes associados à hipertrofia de amígdalas e das mucosas nasais, gerando uma alteração na deglutição e na postura de língua, em repouso ou em ação.

     O respirador bucal pode apresentar as seguintes características:

        Alteração dos órgãos fonoarticulatorios (hipotrofia, hipotonia e hipofunção dos músculos elevadores da mandíbula, alteração de tônus com hipofunção dos lábios e bochechas, lábio superior retraído ou curto, e inferior evertido ou interposto entre os dentes, lábios secos e rachados com alteração de cor, gengivas hipertrofiadas com alteração de cor e freqüentes sangramentos);

        Língua com postura anormal posicionada na arcada inferior ou entre os dentes, deixando de exercer sua função modeladora do palato e também com tonicidade prejudicada;

        Alterações corporais (deformidades toráxicas, musculatura abdominal, olheiras com assimetria de posicionamento dos olhos, olhar cansado, cabeça mal posicionada em relação ao pescoço, trazendo alterações para a coluna no intuito de compensar o mal posicionamento, ombros caídos para frente comprimindo o tórax, assimetria facial, indivíduo muito magro e as vezes obeso, e sem cor);

        Alterações das funções orais ( mastigação ineficiente levando a problemas digestivos e engasgos pela incoordenação da respiração com a mastigação, deglutição atípica com ruído, projeção anterior de língua, contração exagerada de orbicular, movimentos compensatórios de cabeça, fala imprecisa, trancada, com excesso de saliva, sem sonorização pelas otites freqüentes, com alto índice de ceceio anterior ou lateral e voz rouca ou anasalada);

      Hipertrofias de adenóides (tem seu desenvolvimento desde o período intra uterino);

      Estrutura facial alterada. (Dolicofacial ou dolicocefálico ou face longa e estreita: flacidez de toda a musculatura da face);

       Estreitamento da arcada superior gerando uma má oclusão dentária e espaço insuficiente para a língua (sendo a alteração mais comum em relação a dentição a classe II, divisão I e II de Angle, "over jet", mordida cruzada ou aberta e classe III), e alterações do palato e da narina, desvio de septo.

       Olfato prejudicado, também acompanhado pela diminuição gustativa, halitose e redução do apetite;

      Mau funcionamento da tuba auditiva (caracteriza-se por apresentar a membrana timpanica opacificada e retraída, em conseqüência da ventilação nasal deficiente);

       Diminuição da acuidade auditiva, repetitivas otites médias serosas, membrana timpânica alterada, surdez;

       Coração super excitado, batimentos arrítimicos, cardiopatias várias (principalmente em crianças com excesso de peso, pois não tem ânimo ou resistência para fazer esportes, a não ser natação, quando reforça seu padrão respiratório), lentidão do aparelho digestivo, desordens intestinais, tosse amigdalite repetitiva, anemia, rinofaringites crônicas, cefaléias, problemas pulmonares, traquio-bronquites, bronquiectasias, crises asmatiformes, sinusite;

       Má oxigenação cerebral ocasionando dificuldade de atenção e concentração e com isso problemas de aprendizagem.

       Com relação ao tipo facial do respirador bucal, podemos citar algumas características: altura facial aumentada com provável mordida aberta esquelética, nariz verticalmente mais longo e com maior protusão, ponte nasal e raiz do nariz com tendência a ser muito mais altos, arco maxilar e palato duro mais longos, estreitos e profundos, ângulo mandibular (goníaco) aberto, base posterior do crânio mais curta e arco dentário longo e estreito, musculatura em geral estriada e hipotônica, lábio superior em hipofuncao e com hipertonia do mesmo, hipertonia de mentalis, língua mais anteriorizada, mastigação ineficiente, deglutição com interposição de língua e participação ativa da musculatura perioral, enfraquecimento dos fonemas plosivos e de /k/ e /g/ pela distância entre o dorso da língua e o palato.

       Ao nível de crescimento horizontal, citaremos a classe II (divisai I e II de Angle) e classe III.

       Na classe II, os primeiros molares inferiores estão distalizados em relação aos primeiros molares superiores. Em geral, o arco mandibular é menor em relação ao maxilar. Pode haver mandíbula diminuída ou maxila aumentada, ou ambos com alteração de tamanho e discrepância entre eles. A maxila, em geral, é longa e estreita.

       Na classe II - divisão I, encontramos o lábio superior hipofuncionante e às vezes hipotônico, lábio inferior retrovertido, mentalis hipertônico, deglutição com interposição do lábio inferior atrás dos dentes superiores, tendência a anteriorizacao de mandíbula para aumentar o espaço intra - oral nas funções de fala e deglutição, e se houver sucção do lábio inferior, esse pode ficar hipertônico.

       Em relação à classe II - divisão II, encontramos uma musculatura labial normal ou hipertonicidade de lábio superior, posicionamento inadequado em fonemas bilabiais, onde a oclusão labial é substituída pela oclusão de lábio inferior com incisivos superiores, sibilantes com deslize mandibular anterior ou lateral e projeção da língua sobre os rebordos da arcada.

       Na classe III os primeiros molares inferiores relacionam-se mesialmente em relação aos superiores, o arco mandibular maior em relação ao maxilar, pois a mandíbula cresceu muito ou a maxila cresceu pouco ou ambos, língua hipotônica, larga e no assoalho da boca.

       Na mastigação, utiliza o dorso da língua esmagando o alimento contra o palato, realizando-se mais verticalmente e sem lateralização de mandíbula, a deglutição realiza-se com pressão atípica do dorso da língua e com participação da musculatura perioral, há anteriorização de língua, e movimentos associados de cabeça.

       Holik (1958) constatou que 85% de um grupo de crianças que respiravam pela boca apresentavam subdesenvolvimento da musculatura oral. Wotson e associados (1968) divulgaram uma pesquisa segundo a qual as crianças com face longa e estreita, ou com palato ogival tinham uma resistência maior à respiração nasal do que aquelas de face curta e larga, ou palato largo e baixo. Hanson e Cohen (1973) identificaram uma relação entre a presença de respiração bucal e a permanência ou desenvolvimento de deglutição atípica no grupo por eles pesquisado.

       Temos como classificação dos respiradores bucais:

      Respirador bucal orgânico: apresenta obstáculos mecânicos que podem ser nasais, retronasais e bucais. São diagnosticados através da clínica e de radiografia. Temos como exemplos: estenose nasal a atresia maxilar, retrognatismo, alteração de tônus, postura e tamanho de língua, entre outros.

       Respirador bucal funcional: esse tipo de respirador bucal geralmente já foi submetido a tonsilectomia e também amigdalectomia, mas permanecem respirando pela boca, mesmo tendo o trato respiratório superior permeável.

      Apresentam quadros de catarros repetitivos, características das rinites alérgicas.

       Respirador bucal impotente funcional: respiradores bucais que desencadeiam quadro alterado de respiração por disfunção neurológica. Muitos desses quadros estão acompanhados de alterações psiquiátricas.

     Citaremos abaixo as conseqüências da respiração bucal:

     

    • Rendimento físico e escolar diminuídos por dormirem mal; incoordenação global;
    •  Impaciência, irritabilidade, inquietude, ansiedade, medo;
    •  Relacionamento social, familiar e afetivo reduzidos;
    •  Cansaço, depressão, impulsividade, desânimo;
    •  Crescimento físico diminuído decorrente da má alimentação;
    •  Alteração da fala, provenientes das deformidades dos dentes e da face;
    • Otites acompanhada de um quadro de hipertrofia das adenóides, podendo levar a diminuição da audição;
    • Sono agitado e pesadelos;
    •  Não dorme na posição que quer, mas sim na que pode (decúbito ventral ou de lado);
    •  Sono durante o dia;
    •  Enurese noturna e cai da cama;
    •  Suga o polegar, chupetas ou rói unha;
    •  Ronco noturno e excesso de baba no travesseiro;
    •  Expressão facial vaga, caída e com olheiras;
    •  Redução do apetite, alterações gástricas, sede constante, engasgos, palidez.

        Você que está lendo esse artigo, deve estar pensando..."Nossa nunca achei que respirar pela boca causasse tantas alterações"!! Pois é, então observe seu filho (a) principalmente durante à noite, caso ele apresente alguma alteração, consulte um fonoaudiólogo para uma avaliação!!! Até a próxima.

    Carla Faedda.

     

  • DISLEXIA, o que é? como tratar?

    13

    Abr
    13/04/2011 às 12h13

    A dislexia não é uma doença. Trata-se de uma disfunção neurológica – ou transtorno –, de origem genética e hereditária, que leva à dificuldade na decodificação da leitura e, consequentemente, dificuldades para a escrita e compreensão de textos.

    “A condição se instala durante o desenvolvimento fetal. Durante a gestação, as células que formarão o cérebro ‘viajam’ do centro para fora, de baixo para cima, até chegarem aos locais pré-programados geneticamente. Na dislexia, algumas células não chegam onde deveriam, o que gera estas dificuldades ou alterações de processamento”, diz Maria Inez Ocanã De Luca, psicóloga, membro da Associação Brasileira de Dislexia (ABD).

    Condição afeta área do cérebro responsável pela leitura, mas não impacta a inteligência

    O primeiro diagnóstico de dislexia foi feito há mais de cem anos. Um grupo de cientistas tentava descobrir por que tantas crianças estavam sendo encaminhadas para o atendimento médico por conta de dificuldades na escolarização. Entre os casos, um adolescente de 14 anos possuía boas habilidades em matemática, mas dificuldade para ler e escrever (é comum as pessoas acharem que os disléxicos têm capacidades intelectuais alteradas, o que não é verdade).

    Após diversos estudos, foram identificadas áreas cerebrais responsáveis pelo processamento da leitura. Mas é importante lembrar: pessoas com dislexia possuem dificuldades com a leitura, porém, não apresentam nenhuma lesão no cérebro.

    Diagnóstico normalmente é feito após o início da vida escolar

    Apesar de a criança nascer disléxica, para se realizar o diagnóstico é necessário que ela tenha passado por, pelo menos, dois anos de escolarização. Só desta forma é possível identificar a principal característica da dislexia, que é o desenvolvimento, em geral, mais lento do que o das outras crianças, apresentando dificuldades para a escrita e a leitura.

    “É observado um pequeno atraso no desenvolvimento da fala e da coordenação motora da criança ainda pequena, porém, isto não é considerado significativo pelos pediatras e acaba se tornando mais latente no período da alfabetização”. Outras características seriam a dificuldade no processamento de informações e memória recente prejudicada.

    É possível, também, que o diagnóstico seja feito somente em idade adulta, “por falta de conhecimento ou porque as dificuldades eram atribuídas a outros problemas erroneamente”, explica. A psicóloga destaca que existem também habilidades e dificuldades diferenciadas entre os disléxicos, o que dificulta a identificação do transtorno. “Alguns apresentam maior dificuldade de processamento das informações auditivas. Outros, das visuais”, acrescenta.

    O diagnóstico deve ser feito por uma equipe multidisciplinar. São feitas avaliações de processamento auditivo, oftalmológico e neurológico. “Além destes exames, devem ser feitas avaliações psicológicas, fonoaudiológicas e também psicopedagógicas. Só depois de todas estas avaliações é possível identificar se é dislexia ou não a dificuldade apresentada pela criança ou pelo adulto”, destaca Maria Inez.

    -

    5 características que ajudam a identificar a dislexia

    1) A criança, ainda pequena, apresenta atraso no desenvolvimento da fala e da coordenação motora ;

    2) Na fase de alfabetização, a criança evita situações de leitura e escrita;

    3) A criança desenvolve ansiedade em relação à escola;

    4) Tem a memória recente prejudicada;

    5) Apresenta baixa velocidade no processamento de informações.

     

     

  • O Papel dos pais com filhos disléxicos

    13

    Abr
    13/04/2011 às 12h10

    qual o papel dos pais diante dos filhos disléxicos? “Os pais normalmente não sabem o que é a dislexia, mas se sentem aliviados por saber que a dificuldade de seu filho tem um nome”, explica a fonoaudióloga e psicopedagoga Maria Angela Nico, da Associação Brasileira de Dislexia (ABD).

     

    Mas, além de um nome, é preciso saber sobre o que se trata e como ajudar seu filho. “O principal cuidado em relação à dislexia é levar informação ao disléxico. Ele deve saber o que é. Saber que não é uma doença e que a dislexia não é impedimento para seu crescimento acadêmico e social”, explica a psicóloga Maria Inez, também da ABD.

    São os pais os responsáveis por procurar o tratamento e ajuda adequados ao seu filho na descoberta de suas principais dificuldades e também de suas habilidades. “A criança deve frequentar a intervenção indicada durante o processo de avaliação, buscando ferramentas para melhorar seu desempenho e ter em mente que é capaz, que aprende de forma diferente, mas aprende”, diz Inez.

    E de forma alguma devem se sentir culpados por terem um filho disléxico. “Não precisa passar a mão na cabeça, pois eles são inteligentes e com a ajuda certa eles vão chegar ao mesmo patamar do aluno sem o distúrbio”, afirma Maria Angela. Se for necessário, os pais devem procurar apoio e, se for o caso, buscar acompanhamento de um psicólogo especialista em dislexia.

    Socialização e mercado de trabalho

    Tanto Maria Angela como Maria Inez concordam que a informação é a melhor arma na socialização do disléxico. “Quanto mais as pessoas obterem informações sobre o distúrbio, melhores serão as relações sociais”, diz Inez.

    E ter dislexia não significa impedimento para arrumar um emprego ou tirar carta de motorista. Segundo a psicóloga, recentemente o Detran tem buscado informações sobre como realizar o processo de concessão de carteira de habilitação aos disléxicos. “Muitas empresas também têm mostrado interesse na inclusão dos disléxicos em seus quadros de funcionários, oferecendo condições diferenciadas em processos de seleção”, diz.

    Na área da justiça, existem algumas leis que visam aos direitos dos disléxicos. “Existem muitos projetos de lei, mas infelizmente ainda não foram aceitos em todas as instâncias”, explica Maria Angela. No site www.dislexia.org.br, é possível encontrar uma lista dessas leis e ainda tirar dúvidas com os profissionais.

  • Pesquisadores estão fazendo progressos em direção ao diagnóstico precoce e o tratamento de dificuldades de aprendizagem

    13

    Abr
    13/04/2011 às 12h01

     

    Tocar piano, para quem começou agora a aprender o instrumento, é uma tarefa intimidante: aprender o movimento certo dos dedos, a forma correta de usar pedal, ler as notas e continuar no ritmo. Para uma criança com problemas de leitura, compreender uma simples palavra pode ser tão desafiador quanto isso.

    “As pessoas não entendem que ler é uma habilidade complexa”, diz G. Reid Lyon, líder em pesquisas de políticas educacionais na Universidade Southern Methodist e de pesquisas sobre cognição e neurociência na Universidade do Texas, nos EUA.

    As dificuldades de aprendizado podem se manifestar de várias formas, desde uma incapacidade em se compreender números ou textos. Mas as dificuldades de leitura são, de longe, as mais comuns. “Representam cerca de 80% a 90% das dificuldades de aprendizagem”, diz Lyon.

    Na última década, os pesquisadores desenvolveram técnicas capazes de detectar estas dificuldades cada vez mais cedo – inclusive na infância – e a criação de intervenções que minimizem seus impactos.

    O cérebro do bebê

    Por definição, crianças com estas dificuldades não sofrem de problemas intelectuais, sensoriais ou distúrbios emocionais. Elas geralmente têm capacidades normais ou até acima da média em algumas áreas acadêmicas e cognitivas.

    Quanto mais cedo se identificar dificuldades de aprendizado em uma criança, melhor. De acordo com Lyon, 17% das crianças que não conseguem melhorar sua leitura até os 9 anos permanecem com esta dificuldade pelo resto da vida. “No entanto, grande parte das intervenções é iniciada após dois ou três anos de alfabetização”, diz o psicólogo Dennis Molfese, da Universidade de Nebraska, nos EUA. “Ou seja, a intervenção tem início quando a dificuldade já está completamente estabelecida”, acrescenta.

    Segundo Molfese, nos EUA os programas de intervenção demoraram a serem validados e as escolas ainda oferecem resistência em adotá-los. “Quando uma criança apresenta dificuldades de leitura, a probabilidade de ela permanecer com o problema é grande”, diz.

    Iniciar tardiamente o tratamento tem se mostrado pouco eficaz. As crianças não conseguem atingir os níveis de compreensão e leitura que um leitor sem dificuldades consegue, chegando a 80% ou 85% do considerado padrão. “O tratamento funciona até certo ponto, mas a maioria das crianças nunca chegará aos níveis de leitura desejados, podendo nunca desenvolver prazer pela leitura”, diz.

    Para resolver esse dilema, Molfese e sua esposa, Victoria Molfese, psicóloga do desenvolvimento especializada em educação infantil na Universidade de Nebraska, desenvolveram um método para identificar em recém-nascidos o risco de desenvolver dificuldades de leitura com uma precisão impressionante.

    Em 1985, a dupla publicou no periódico Infant Behavior and Development, que eles haviam identificado padrões das ondas cerebrais infantis que tinham relação com as diferenças nas habilidades de linguagem e tamanho do vocabulário, quando estas crianças atingissem 3 anos de idade. Ao longo dos anos, eles expandiram este trabalho. Em um estudo publicado em 2000, no periódico Brain and Language, eles relataram que podiam prever com 80% de precisão se recém-nascidos poderiam apresentar problemas significativos de leitura aos 8 anos. “Agora, nossa precisão é de até cerca de 99%”, diz Dennis Molfese.

    Segundo Molfese, o exame é relativamente simples. São afixados eletrodos no couro cabeludo do bebê para registrar suas ondas cerebrais enquanto ouvem sons de sílabas diferentes, como “ba” e “ga”. Na maioria dos recém-nascidos, há um aumento acentuado na atividade cerebral que ocorre cerca de um quarto de segundo depois de ouvir os sons. “Nos bebês em risco, há um atraso nesta resposta com cerca de mais de um quarto de segundo. É muito fácil ver nos registros de ondas cerebrais”, diz. Os bebês conseguem ouvir normalmente, mas o cérebro processa o som mais lentamente.

    O casal espera usar estas descobertas para desenvolver intervenções precoces que possam minimizar ou mesmo prevenir distúrbios de aprendizagem. “Sabemos que a plasticidade do cérebro pode ocorrer nos primeiros anos de vida”, diz Dennis Molfese. “Por que não ‘reprogramar’ logo o cérebro?”.

    Para chegar a este ponto, em parceria com pesquisadores da Finlândia, eles estão desenvolvendo um jogo de computador que apresenta os símbolos gráficos com diversos sons. Para jogar, as crianças precisam classificar os símbolos e os sons conforme eles aparecem. Pode-se ainda ajustar as configurações de modo que a diferença entre dois sons se torne cada vez mais ambígua, ajudando a criança a gradualmente conseguir distinguir entre sons similares. “O jogo foi originalmente desenvolvido para as crianças da pré-escola, mas esperamos que possa ser adaptado para crianças ainda menores”, diz Victoria Molfese.

    Intervenções efetivas

    Enquanto as estratégias de intervenção para bebês e crianças pequenas ainda estão em fase de testes, abordagens que visam a crianças com idade pré-escolar e no jardim de infância começam a ser postas em prática. No entanto, o tema ainda gera dúvidas entre professores e psicólogos. Afinal, qual deve ser o foco deste tratamento?

    Durante o Painel Nacional de Alfabetização, convocado em 2009 pelo Instituto Nacional de Alfabetização, apoiado pelo Departamento de Educação dos EUA, do qual Victoria participou, se chegou à conclusão de que as habilidades críticas são a escrita, o conhecimento do alfabeto, as tarefas de nomeação rápida e processamento fonológico (a capacidade de dividir as palavras em sons e sílabas).

    Segundo o psicólogo Jack Fletcher, da Universidade de Houston, nos EUA, estas abordagens podem ser extremamente eficazes. “Temos muitas evidências. Muitos estudos de neuroimagem mostram que, se as crianças passam por intervenções eficazes, há uma mudança no funcionamento do cérebro para a leitura”, diz ele.

    Resultados

    Mesmo com todos estes avanços, os pesquisadores lembram que não há cura para todas as dificuldades de aprendizagem, já que existem níveis diferentes de dificuldades. “Crianças com dificuldade leve podem ter uma recuperação total, com a intervenção adequada. Mesmo em níveis mais graves, o reconhecimento precoce pode ajudar a garantir que as crianças recebam as ferramentas necessárias para gerenciar suas dificuldades”, diz Lyon.

    E apesar das evidências de que a intervenção precoce é efetiva, pouco tem sido feito nas escolas, onde o diagnóstico continua sendo tardio. “A tendência é postergar o diagnóstico à espera do fracasso das crianças”, diz Fletcher.

    Para Molfese, é necessário haver uma mudança de paradigmas dentro da psicologia como um todo para que se passe a considerar a prevenção nestes casos. Molfese concorda. “A maioria dos Estados realiza testes em recém-nascidos para problemas de audição e para algumas doenças genéticas. Adicionar cinco minutos de teste de ondas cerebrais para avaliar o risco de dificuldades de aprendizagem é fácil e relativamente barato”, diz.

    Após três décadas de pesquisa, Victoria está esperançosa, mas sabe que ainda falta um longo caminho a percorrer. “Temos pelo menos mais 30 anos de pesquisas pela frente”, conclui.

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    Créditos: este material aparece originalmente em inglês como Catching reading problems early. Copyright © 2010 da American Psychological Association (APA). Traduzido e reproduzido com permissão. A APA não é responsável pela exatidão desta tradução. Esta tradução não pode ser reproduzida ou, ainda, distribuída sem permissão prévia por escrito da APA.

  • Espaço para troca de conhecimentos.

    21

    Fev
    21/02/2011 às 12h38

    Olá amigos, criei esse blog não só para divulgar meu trabalho como fonoaudióloga, mas também, para trocar experiências e conhecimentos sobre a fonoaudiologia, área na qual me formei e sobre, psicopedagogia, neurociências, metacognição( assuntos nos quais sou pesquisadora) e sobre meus cursos e palestras.

    Sinta-se á vontade para comentar e mandar perguntas, principalmente para os acadêmicos, terei muito prazer em orientá-los da melhor forma.

    Obrigada pela visita e boa leitura.

    ps: não deixem de ler meu artigo sobre neurociência da aprendizagem. 

  • Jason Mraz - I'm Yours (2008)

    21

    Fev
    21/02/2011 às 12h01
  • Artigos científicos

    21

    Fev
    21/02/2011 às 09h52

    FONOAUDIOLOGIA NEUROCIÊNCIA E APRENDIZAGEM

     

     

    Carla Marcela Faedda*

     

    *Fonoaudióloga, psicopedagoga, Esp. Neurociência da aprendizagem.

     

    A neurociência reúne as disciplinas biológicas que estudam o sistema nervoso, normal e patológico. É o estudo da realização física do processo de informação no sistema nervoso humano. O estudo da neurociência engloba três áreas principais: a Neurofisiologia (estudo das funções do Sistema nervoso), a Neuroanatomia (estudo da estrutura do Sistema Nervoso) e Neuropsicologia (estudo da relação entre as Funções Neurais e Psicológicas).

    Neurociência é um termo ainda recente, que indica a ciência que estuda o sistema nervoso. A Fonoaudiologia faz parte do grupo de ciências queestudam as funções cognitivas, dentre estas, a Linguagem, que estuda o processo de comunicação oral e escrita[1]. Apesar de ser um termo novo, o estudo do encéfalo é tão antigo quanto a própria ciência.

    Vasconcelos et al (2009), publicou um estudo sobre o crescimento das publicações relacionadas a Fonoaudiologia e a neurociência e comprovou um aumento crescente de publicações em Linguagem e em Neurociências nos últimos cinco anos. Contudo, o número de publicações em determinados temas como a Dislexia, a Doença de Alzheimer e o Transtorno do Déficit de Atenção / Hiperatividade ainda mostra-se resumido.

    Conhecer como o cérebro funciona não é a mesma coisa do que saber qual é a melhor maneira de ajudar os alunos a aprender e principalmente aqueles alunos que tem mais dificuldades em reter contaúdos. A aprendizagem e a educação estão intimamente ligadas ao desenvolvimento do cérebro, o qual é moldável aos estímulos do ambiente.

    Os estímulos do ambiente levam os neurônios a formar novas sinapses. Assim, a aprendizagem é o processo pelo qual o cérebro reage aos estímulos do ambiente, ativando sinapses, tornado-as mais “intensas”. Como conseqüência, estas se constituem em circuitos que processam as informações, com capacidade de armazenamento molecular.

    O estudo da aprendizagem une a educação com a neurociência. A neurociência investiga o processo de como o cérebro aprende e lembra dentre outros fenômenos do cérebro, desde o nível molecular e celular até as áreas corticais. A formação de padrões de atividade neural considera-se que correspondam a determinados “estados e representações mentais”m existem estudos em psicologia cognitiva que abrodam a “metacognição”[2] como estratégia para melhorar a aprendizagem.

    O ensino bem sucedido provocando alteração na taxa de conexão sináptica, afeta a função cerebral. Por certo, isto também depende da natureza do currículo, da capacidade do professor, do método de ensino, do contexto da sala de aula e da família e comunidade, pois tudo depende do “meio de inserção” desse indivíduo, pois todos aprendemos, porém, porque uns aprendem mais que os outros?

    Todos estes fatores interagem com as características do cérebro dos indivíduos.

    A alimentação afeta o cérebro da criança em idade escolar. Se a dieta é de baixa qualidade, o aluno não responde adequadamente a excelência do ensino fornecido e aí por diante.

    O objetivo mais importante da educação é desenvolver uma capacidade de aprender mais adequada a cada indivíduo, de acordo com os períodos receptivos para a aquisição das funções cognitivas. O progresso da neurociência cognitiva está conduzindo a novas descobertas. As funções cerebrais humanas estão localizadas em várias áreas funcionais. E cada área funcional terá um período receptivo diferente devido a plasticidade das redes neurais.

    Uma das subdivisões do estudo da neurociência é a neurociência cognitiva que aborda os campos de pensamento, aprendizado e memória. O estudo do planejamento, do uso da linguagem e das diferenças entre a memória para eventos específicos, e a memória para a execução de habilidades motoras, são exemplos da análise ao nível cognitivo.

    Os métodos empregados na neurociência cognitiva incluem paradigmas experimentais de psicofísica e da psicologia cognitiva, neuroimagem funcional, genômica cognitiva, genética comportamental, assim também como estudos eletrofisiológicos de sistemas neurais. Estudos clínicos de psicopatologia em pacientes com déficit cognitivo, constitui um aspecto importante da neurociência cognitiva.

    Para Kandel, ganhador do Prêmio Nobel em Fisiologia e Medicina em 2000, a neurociência atual é a neurociência cognitiva, um misto de neurofisiologia, anatomia, biologia desenvolvimentalista, biologia celular e molecular e psicologia cognitiva.

    A Neurociência Cognitiva procura estabelecer correlações entre propriedades de estímulos apresentados ao Sistema Nervoso Central; Medidas da atividade cerebral, por meio de diversas tecnologias; Propriedades mentais, reportadas por meio de relatos verbais ou não-verbais.

     Os tipos de Processos Mentais Estudados pela neurociência cognitiva são a aprendizagem e a memória; a atenção; a motivação e as emoções; a sensação e a percepção; Identidade pessoal (o “Eu”); O pensamento e as funções executivas;a linguagem e a interpretação;a motricidade e o planejamento motor.

    Esta abordagem, permitirá o diagnóstico precoce de transtornos de aprendizagem. Este fato exigirá métodos de educação especial, ao mesmo tempo a identificação de estilos individuais de aprendizagem e a descoberta da melhor maneira de introduzir informação nova no contexto escolar.

    Investigações focalizadas no cérebro averiguando aspectos de atenção, memória, linguagem, leitura, matemática, sono e emoção e cognição, estão trazendo valiosas contribuições para a educação.

    Pesquisadores em educação têm uma postura otimista de que as descobertas em neurociências contribuam para a teoria e práticas educacionais. Destarte, uma avalanche de artigos leigos em jornais diários e revistas de divulgação e mesmo periódicos científicos, têm exagerando os benefícios desta contribuição, variando daqueles totalmente especulativos àqueles incompreensíveis e esotéricos.

    Desenvolver currículos escolares “sob medida”, para atender esse ou aquele aluno é uma informação infundada do que a neurociência pode oferecer à educação.

    A pesquisa em neurociência por si só não introduz novas estratégias educacionais. Contudo fornece razões importantes e concretas, não especulativas, porque certas abordagens e estratégias educativas são mais eficientes que outras.

     

    Existem algumas primícias sobre a contribuição da neurociência para aprendizagem escolar que são muito relevantes e fazem parte de estudos científicos sérios e tem sua comprovação científica como, a aprendizagem fazendo parte de atividades sociais dos indivíduos, que facilitam a estes, expor seus sentimentos, visto que, a aprendizagem, memória e emoções estão ativados pelo processo de aprendizagem.

    Outra contribuição importante é que sabemos que o cérebro se modifica aos poucos tanto fisiológica quanto estruturalmente como resultado das experiências, quanto mais práticas as aulas, quanto mais ativamente os estudantes estiverem participando desse processo, mais eles vão reter o que aprenderam.

    O cérebro mostra períodos ótimos (períodos sensíveis) para certos tipos de aprendizagem, que não se esgotam mesmo na idade adulta. Ajuste de expectativas e padrões de desempenho às características etárias específicas dos alunos, uso de unidades temáticas integradoras facilitam o processo.

    O cérebro mostra plasticidade neuronal (sinaptogênese), mas maior densidade sináptica não prevê maior capacidade generalizada de aprender. Os Estudantes precisam sentir-se “detentores” das atividades e temas que são relevantes para suas vidas. Atividades pré-selecionadas com possibilidade de escolha das tarefas, aumenta a responsabilidade do aluno no seu aprendizado.

    Inúmeras áreas do córtex cerebral são simultaneamente ativadas no transcurso de nova experiência de aprendizagem. Situações que reflitam o contexto da vida real, de forma que a informação nova se “ancore” na compreensão anterior.

    O cérebro foi evolutivamente concebido para perceber e gerar padrões quando testa hipóteses. Promover situações em que se aceite tentativas e aproximações ao gerar hipóteses e apresentação de evidências. Uso de resolução de “casos” e simulações oferece ao cérebro a capacidade de estabelecer critérios que podem ser utilizados posteriormente de diversas formas, estimulando a famosa “reversibilidade”.

    O cérebro responde, devido à herança primitiva, às gravuras, imagens e símbolos. Propiciar ocasiões para alunos expressarem conhecimento através das artes visuais, música e dramatizações, propiciando a formação de esquemas mentais, métodos minemônicos são de grande importância para a subcorticalização das experiências.

    A neurociência oferece um grande potencial para nortear a pesquisa educacional e futura aplicação em sala de aula. Pouco se publicou para análise retrospectiva. Contudo, faz-se necessário construir pontes entre a fonoaudiologia a neurociência e a prática educacional, através de estudos e pesquisas sérias e bem fundamentadas.

     

     

    Referências

     


    INÀCIO, Sandra Regina. A importância da neurociência na aprendizagem e educação. Disponível em: http://www.webartigos.com/articles/12767/1/A-Importancia-Da-Neurociencia-Na-Aprendizagem-E-Educacao/pagina1.html. Acesso em 01 março 2010.

     

    Conselhos Federal e Regionais de Fonoaudiologia. Lei 6965/81. Código de Ética da Fonoaudiologia. 2004; 44p.

     

    FONSECA, Vítor. Cognição, Neuropsicologia e Aprendizagem. Abordagem neuropsicológica e psicopedagógica. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.

     

    STERNBERG, R. Psicologia cognitiva. Porto Alegre, RS: Artes Médicas, 2000.

     

     

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    [1] Conselhos Federal e Regionais de Fonoaudiologia. Lei 6965/81. Código de Ética da Fonoaudiologia. 2004; 44p

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    [2] A metacognição é a capacidade do ser humano de monitorar e auto-regular os processos cognitivos ((STERNBERG, 2000).

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